Depressão tem tratamento
Samira Ap. Bana



A palavra depressão é originada do latim depressus e significa abatido, apatia, sentimentos profundos de desesperança, alteração de humor constante, desapego a tudo, e esse estado pode ser transitório ou permanente. Em casos graves a depressão pode levar ao suicídio. Atualmente, o mundo contemporâneo, suas constantes pressões, a competitividade, o estresse do dia a dia, o consumismo desenfreado, o individualismo que cerceia as relações contribuem em grande parte nas sintomatologias depressivas.
O termo depressão muitas vezes é empregado tanto para designar um estado de tristeza, quanto para evidenciar um sintoma ou uma síndrome (várias doenças). Pode-se afirmar que todo indivíduo já se sentiu triste, profundamente triste um dia na vida, mas não se pode afirmar que todo indivíduo passou por uma depressão.
Vejamos, por exemplo, uma situação de luto pela perda de um ente querido, de um emprego, falência de um negócio, decepção amorosa etc, que provocam um sentimento de tristeza. Esse sentimento é adaptativo, pois esse retraimento necessário é que vai possibilitar ao indivíduo, após um determinado tempo, voltar a sua vida normal. São situações normais e devem ser diferenciadas dos estados depressivos, nos quais a pessoa usualmente preserva certos interesses e reage ao ambiente – sai para encontros familiares, com amigos etc.
Os estados depressivos também podem surgir nas situações descritas acima e em outras, como estresse, afecções psíquicas como esquizofrenias, demência, alcoolismo, quadros clínicos de doenças (coronarianas, câncer etc), só que a diferença é que a pessoa não reage às estimulações ambientais, há uma alteração de humor como tristeza, irritabilidade, falta de capacidade de sentir prazer, indiferença e apatia as mais diversas situações, além de alterações cognitivas psicomotoras e vegetativa, ou seja, o indivíduo passa o dia na cama, não toma banho, tem alteração do apetite e do sono. Esses quadros depressivos vão de uma graduação mais leve até as mais agudas.
Muitas vezes, o indivíduo descreve que passou a se sentir apático, sem vontade de viver, ou passou a manifestar um comportamento bastante agressivo, com alterações de humor, mas, concretamente, nada de valor significativo aconteceu, ou seja, ele consegue perceber que suas reações são totalmente desproporcionais às situações em si.
De igual importância são os quadros depressivos que se manifestam na adolescência, período marcado por significativas mudanças. Todos os aspectos de desenvolvimento que não foram elaborados no transcorrer desse período serão reativados, e uma das possibilidades é o aparecimento da depressão. Situações como a saída de casa, vestibular, escolha de uma profissão para a vida toda são situações que podem levar à depressão, pois muitos adolescentes não se sentem com recursos internos e capacidade suficientes para lidar com tais situações. Em crianças e adolescentes, a forma de expressão da depressão pode se dar também nas alterações de humor irritável ou rabugento, em vez de triste.
São vários os tratamentos para a depressão e os mais eficazes, no meu ponto de vista, são os psicoterápicos associados, se necessário, aos psicofarmacológicos. Infelizmente, no Brasil, as práticas psicoterápicas, muitas vezes, não são valorizadas como as medicamentosas, mas é por meio da Psicoterapia e, se necessário, da terapia medicamentosa, que se vai ajudar o indivíduo a redescobrir e utilizar seus recursos e capacidades e assim operar mudanças em sua vida. E, quando o indivíduo chega primeiramente à Psicoterapia, o terapeuta, pela sua experiência, deverá ser capaz de avaliar o grau de depressão e se há necessidade de medicação ou não, que deve ser prescrita única e exclusivamente por médico psiquiatra.
Além das práticas psicoterapêuticas, exercícios físicos, técnicas de relaxamento e caminhadas são bastante eficazes no combate aos sintomas depressivos. Manter-se ativo física e mentalmente revigora a alma e ajuda no enfrentamento das dificuldades e adversidades da vida.

Samira Ap. Bana é psicóloga e psicanalista (tel.: 11-4586-7281)